Dr. Vamberto Maia Filho | Ginecologista Obstetra

Entenda como funciona a inseminação artificial

Dr. Vamberto Maia Filho explica como a técnica é feita e para quem é indicada.

Publicado em 08/08/2017

Dr. Vamberto Maia Filho

Dr. Vamberto Maia Filho - Ginecologista Obstetra

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Entenda como funciona a inseminação artificial

Quando um casal busca auxílio para engravidar, os tratamentos mais comuns são os de baixa complexidade: coito programado e inseminação intra uterina (ou artificial). Mas o que é Inseminação Artificial (IA)?

 

A técnica é um atalho criado para se colocar os espermatozoides dentro do útero da mulher. Para isso ocorrer de forma otimizada se busca ou se cria o período fértil (momento perfeito da ovulação da mulher), facilitando assim a união com o óvulo. Muitos casais confundem com fertilização in vitro, que na verdade, põe o embrião já pronto no útero. Para acompanhar são usados ultrassonografias seriadas e quando se identifica que os folículos atingiram o tamanho e número ideal se faz a inseminação.

 

Apesar de ser possível a realização da IA sem nenhum estímulo à ovulação, o mais comum é se usar de algum estímulo para aumentar as chances de sucesso. A coleta dos espermatozoides é por meio de masturbação sem uso de lubrificantes ou saliva. Os espermatozoides são separados de células indesejadas e de defeituosos para restar apenas os melhores. Homens com números de espermatozoides muito baixos não conseguem uma concentração suficiente para técnica. A amostra também pode ser obtida em um banco de sêmen, caso a doação seja necessária.

 

O procedimento pode ser feito tanto num laboratório quanto numa clínica. Solicitamos que o homem fique em abstinência sexual de dois a cinco dias antes da coleta do sêmen, para garantir uma melhor qualidade. Nessa fase é importante manter uma rotina saudável evitando estresse excessivo, consumo exagerado de álcool e de tabaco.

 

Para lançar os espermatozoides se usa um espéculo vaginal (igual a quando se faz um Papanicolau) e através do colo do útero é inserido um cateter bem fino, acoplado a uma seringa que contém os espermatozoides. Ao fim do processo do material é retirado e o exame de gravidez é feito em torno do 12º ao 14º dia.

 

A maior indicação para IA é quando há uma alteração moderada a leve na avaliação seminal, mas se pode usar esta técnica para endometriose leve, suspeita de problemas no colo do útero ou mesmo quando não há uma explicação para a infertilidade. Os resultados oscilam entre 15 a 20% e se orienta que a técnica seja repetida (em caso de insucesso) até 3 vezes para, só depois, partir para técnicas mais avançadas, como a fertilização in vitro.

 

A maior preocupação da inseminação artificial reside na incapacidade de controle do número de óvulos fecundados após o processo ser deflagrado. Na história da medicina reprodutiva os grandes múltiplos ocorreram por esta via. Assim, o acompanhamento médico é imprescindível. Não raramente o tratamento é suspenso quando há muitos folículos estimulados e quando isto ocorre pode também acontecer a Síndrome da Hiperestimulação do Ovário (SHO). Não se deve usar o medicamento sem acompanhamento médico. Infelizmente uma prática ainda vista pelo fácil acesso as medicações estimuladoras da ovulação.

 

É uma técnica excelente e de ótimos resultados quando bem indicada e conduzida. Sempre busque orientação com profissionais comprometidos com cada caso e que tenham um bom suporte técnico para que todos os passos sejam bem elaborados.

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Sobre o colunista

Dr. Vamberto Maia Filho

Graduação em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (2001).

Realizou residência médica em Ginecologia e Obstetrícia (2004) e em Reprodução Humana (2005) pelo Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP).

Possui título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO/TEGO - 2004) e em endoscopia ginecológica (Video-laparoscopia e Histeroscopia - FEBRASGO - 2005).
Doutor em ciências médicas pela UNIFESP (2010).

Foi diretor médico do Centro de Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana - SP. Ex-sócio do grupo Huntington Medicina Reprodutiva. Médico do setor de Ginecologia-Endócrina da UNIFESP com enfase no ensino com linha de pesquisa em implantação embrionária. Responsável pelo ambulatório de hirsutismo do setor de Ginecologia-Endócrina da UNIFESP Doutor pela UNIFESP. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Experiência na área de Ginecologia, com ênfase em Reprodução Humana.