Dra. Renata Scatena | Pediatra

Método de introdução alimentar: BLW (Baby Lead Wenning)

Confira o artigo da pediatra Renata Scatena sobre o assunto.

Publicado em 01/03/2016

Dra. Renata Scatena

Dra. Renata Scatena - Pediatra

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Método de introdução alimentar: BLW (Baby Lead Wenning)

Baby Lead Weaning ou BLW, que significa “bebê guiando o desmame” (ou bebê guiando a introdução alimentar, em uma tradução livre) é um método comportamental sobre a introdução alimentar originalmente referido e descrito por Gill Rapley, uma ex-assistente de saúde e parteira inglesa, há 25 anos.


O método permite que o bebê dirija sua introdução alimentar, servindo-se dos alimentos por si só, conforme seu desenvolvimento físico e cognitivo permite. As papinhas são dispensadas, e o bebê consome os alimentos que consegue pegar e levar a boca, sendo estimulado em sua autonomia durante sua alimentação completar. A família disponibiliza os alimentos, idealmente aproveitando os alimentos do restante da família, e o bebê os consome sem auxílio.


O BLW é um método muito discutido na atualidade, por seus aparentes benefícios. Alguns pontos estimulados neste método são ativamente estudados e incentivados, como, por exemplo o aleitamento materno em livre demanda, que é incentivado como a base nutricional deste método de alimentação complementar. A OMS e Sociedade Brasileira de Pediatria indica o aleitamento exclusivo até seis meses e continuado até 2 anos ou mais e essa indicação corrobora para que essa meta seja atingida. Também é indicado no BLW que a introdução dos alimentos seja realizada após o bebê mostrar sinais fisiológicos para tal, como sustentar bem a cabeça e sentar sem apoio, o que reforça a importância do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, idade fisiológica que o bebê apresenta essas habilidades.


No método, discute-se o lado comportamental da alimentação. A possibilidade de estímulo sensorial que este método traz pode ser benéfico para o desenvolvimento dá um bom padrão alimentar na infância. A literatura sugere que, caso os alimentos sólidos, que requerem mastigação não sejam introduzidos entre os seis-sete meses, as crianças tenderão a resistir a aceitá-los posteriormente. A possível não evolução da aceitação de diferentes consistências e texturas pode contribuir para a manutenção de padrões orais imaturos, na medida em que não oferece experiências sensório-motoras para a adaptação a novos padrões de sucção, mastigação e deglutição.


Alguns estudos demostraram benefícios em relação a proteção de obesidade e sobrepeso. Por conta de maior responsividade à saciedade – o bebê escolher quando começar e quando parar, e não é coagido a comer. Menor chance de seletividade também foi descrito como um benefício em relação ao método, confirmando os dados de literaturas expostos acima. O método foi correlacionado positivamente a tempo de aleitamento materno exclusivo, maior oferta de alimentos não processados, maior participação de refeições em família, maior confiança dos pais e menor preocupação em relação à ingestão e bagunça/sujeira durante a refeição. Todos esses fatores contribuem para um consumo alimentar mais consciente e um hábito alimentar mais saudável e competente.


Porém, alguns riscos foram apresentados, principalmente em relação a análise qualitativa da dieta do bebê alimentado pelo método. O consumo de gordura saturada, sal e açúcar foi acima do recomendado, apesar do consumo energético adequado. As dietas também apresentaram menor consumo de ácido fólico.
Como o método sugere que se utilize a refeição da família, o ideal seria que toda a família realizasse refeições equilibradas. Infelizmente, essa não é a realidade da maior parte dos brasileiros.


Apesar disso, os resultados em relação ao método parecem muito promissores. O Ministério da Saúde indica uma alimentação amassada, porém, não observamos malefícios em relação à entrega da textura original dos alimentos, desde que se permita que a introdução alimentar comece aos seis meses.


Mesmo com os estudos apontando um possível caminho promissor, é necessário cautela para a indicação. Ainda não é consenso pois faltam mais estudos para se analisar, principalmente estudos nacionais. O profissional precisa estar habilitado a indicar a qualidade da alimentação, e o cuidador, estar totalmente disponível para acompanhar e interferir quando necessário. Idealmente, o BLW deve ser indicado e acompanhado por uma equipe multiprofissional.

Referências


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Drent, L.V; PINTO, E. A.L.C. Problemas de alimentação em crianças com doença do refluxo gastroesofágico. Pró-Fono R. Atual. Cient., Barueri, v. 19, n. 1, Apr. 2007
Wright CM, Parkinson KN, Shipton D, Drewett RF. How do toddler eating problems relate to their eating behavior, food preferences, and growth? Pediatrics. [Research Support, Non-U.S. Gov’t]. 2007.
 

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TOWNSEND & PITCHFORD. Baby knows best? The impact of weaning style on food preferences and bmi in early childhood in a case-controlled sample . BMJ Open. 2012.
 

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Brown A1, Lee MD. Early influences on child satiety-responsiveness: the role of weaning style.  Pediatr Obes. 2015 Feb;10(1):57-66. doi: 10.1111/j.2047-6310.2013.00207.x. Epub 2013 Dec 17.
 

BROWN, Differences in eating behaviour, well-being and personality between mothers following bay-led vs. Traditional weaning styles. Maternal & child nutrition, 2015.

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Sobre o colunista

Dra. Renata Scatena

Título de Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

Título de Especialista em Terapia Intensiva Pediátrica pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB)

Pediatra e Intensivista, Dra Renata é graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, com Residência Médica em Pediatria e especialização em Terapia Intensiva Pediátrica pela Universidade de São Paulo - HCFMUSP

Médica Assistente da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto de Oncologia Pediátrica / GRAACC/ UNIFESP

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Faz consultoria em amamentação e aleitamento materno.